Diagnóstico da PRA

Inicialmente o protocolo usado para diagnóstico era feito a partir de exames oftalmológico anual. Esse protocolo foi definido no início dos anos 2000. Foi a partir desse teste que se pode iniciar o controle dos exemplares reduzindo a disseminação da doença hereditária, mas ele fornecia informações limitadas ao veterinário, pois só mostrava se o cão apresentava sintomas no momento do teste e não tinha capacidade de identificar o potencial de desenvolvimento da doença mais tarde na vida.

Os primeiros estudo que conseguiram associar a PRA a um gene defeituoso em particular datam de 2006 nos Estados Unidos, e foi a partir deste mapeamento genético [a mutação genética foi descoberta por ZANGERL et al. (2006) e AGUIRRE-HERNANDEZ et al. (2007)], que os testes começaram a ser feitos nos cães de forma preventiva.

É muito importante frisar que todo o desenvolvimento das pesquisas, testes e diagnósticos ocorre SEMPRE primeiro nos Estados Unidos e que até hoje, em 2019, muitos testes de DNA não são realizados em nosso país!

Apenas criadores realmente sérios e preocupados em manter a saúde de seu plantel nas melhores condições que realizam estes testes, enviando amostras de sangue para laboratório especializado em doenças oftalmológicas hereditárias. No Brasil, os primeiros testes de DNA para identificação de PRA e EIC foram oferecidos aos criadores pelo laboratório de Botucatu a partir de 2014 sob a supervisão do Dr José Paes Filho.

Entendendo os resultados

Os testes genéticos realizados podem apresentar 3 resultados possíveis para cada exemplar: clear (nenhum gene defeituoso encontrado), portador/carrier (1 gene defeituoso encontrado), afetado (2 genes defeituosos encontrados)

Nenhum exemplar que tenha apenas UM gene defeituoso desenvolverá a doença. Aqueles que tem os dois genes defeituosos tem uma chance aumentada de desenvolver, porém em idade variável, e por isso é denominado AFFECTED ou AT RISK no exame genético. 

Como se vê na tabela abaixo, um cão só pode ser ´afetado´ se herdar os genes defeituosos de ambos os genitores, daí a importância da realização dos testes preventivos pelos criadores e a publicação dos resultados! É só com transparência e informação de qualidade que a raça se desenvolve e o plantel geral se torna mais saudável.




E porque alguns cães ´portadores´ foram reproduzidos?
 

Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, a simples eliminação de TODOS os cães portadores – não estamos falando dos AFETADOS, apenas dos PORTADORES – seria altamente prejudicial para a raça porque reduziria de forma drástica pool genético de todos os labradores e, dentro de qualquer raça de cães com pool genético fechado, o risco de desenvolvimento de fixação e aparecimento de novas doenças seria muito maior.

Por isso é importante ter em mente que a reprodução de cães de raça pura deve ser feito EXCLUSIVAMENTE por criadores que testando TODOS os seus exemplares, serão capazes de garantir que um cão portador só será acasalado com um cão comprovadamente livre de PRA, contribuindo, desta forma, para a redução, a longo prazo, dos genes defeituosos.

Como se pode notar, na criação de cães e na genética, não há uma linha imutável que separa o preto e o branco.

Nós, criadores responsáveis e que realmente estamos preocupados com o desenvolvimento da raça labrador no Brasil, ao invés de usar a internet para denegrir a imagem da raça que amamos, usamos todos os recursos disponíveis para, a partir da análise dos exemplares, promover acasalamentos que gerem exemplares que estejam aprovados nos critérios de saúde, temperamento e de acordo com padrão da raça.

Manter a diversidade genética é crucial se quisermos manter a saúde de nossos cães com pedigree.


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